Save water! Shower with Ian
“_ As putas da Augusta vão gripar
Só nós dois na sacada olhando as nuvens querendo despencar, e eu penso em voz alta ‘as putas da Augusta vão gripar’.
_ E lucrar infinitamente.
Sento na sacada, te agarro com as pernas, te puxo pra perto.
_ O frio potencializa qualquer solidão…
_ E é aí que as putas da Augusta entram.
Pego teu cigarro, trago fundo, passo a fumaça pra tua boca, você recupera o cigarro.
_ Quantos dilúvios até a Terra se acabar?
_ Não sei. Você acha que vai acabar inundada?
_ I don’t know.
_ Vamos fazer uma aposta?
_ Que aposta?
_ Eu acho que o planeta vai acabar numa implosão. Se encolhendo, sabe? Tipo um big bang ao contrário, vai tudo voltar ao ponto minúsculo que um dia foi. E o mundo, as sociedades, vão regredindo lentamente até isso. Como uma fita que é rebobinada devagar.
_ Marx fala um pouco disso, que os sistemas avançam até seu apogeu e depois não suportam a si mesmo e se superam, se transformam em outra coisa.
_ Foda-se Marx. Eu não tô falando de superação, tô falando de retrocesso.
_ Eu sei.
_ E então? Qual teu palpite? O mundo acaba de que jeito?
_ Um grande terremoto inunda um continente inteiro, (de preferência América do Norte) os oceanos transbordam com o volume, o mundo acaba primeiro em fogo, destroços, cidades desmoronando… Depois em água.
_ Sobreviventes?
_ Não, nenhum. E na tua teoria?
_ Não, claro que não.
_ Se eu acertar o que eu ganho?
_ O melhor sexo da tua vida.
_ Mas isso eu já tenho.
Respondi por impulso, ele riu.
_ Quem disse que eu tava falando de você?
_ Você, quando percebeu que falou demais e ficou vermelhinha.
_ Você nem viu se fiquei vermelha, tá escuro.
Ele passou a mão pelo meu rosto, eu virei, a cidade pulsava sem pausa.
_ Tua pele fica quente, teu rosto se aquece. Eu tô perto o suficiente pra sentir. E o que eu ganho se acertar?
_ Caso contigo.
_ No apocalipse?
_ Não gosto desses termos, mas se você prefere… Sim.
_ Puta que pariu. Tenho que esperar o mundo acabar pra gente se casar?
_ Você devia gostar, vai faltar tempo.
_ Pra que?
_ Pra gente se odiar. Não é o que quem casa sempre faz? Em um momento ou outro sempre faz.
_ Vou rezar hoje.
_ Really?
_ Yeah.
_ Quer se converter antes do fim?
_ Não, vou pedir pro mundo acabar. Vou tentar antecipar.
_ Boa sorte.”
Sofia (via exageradoverdadeiro)
“Mãe acredita na nossa mentira mesmo sabendo que não é verdade. Mãe é a única pessoa que nos telefona antes das 8h. Aliás, mãe telefona quando não precisa, telefona para não falar nada. Mãe sempre alcança o que deseja dizendo que é bom para gente. Mãe aprende com os filhos, mas acerta mesmo com os netos. Mãe conserva eternamente o cheiro de hipoglós entre os dedos. Mãe consulta a opinião do pai para fazer tudo diferente. Mãe é competitiva na alegria e na tristeza. Não aceita que alguém seja melhor do que ela. Nem que alguém seja pior do que ela. Mãe não pede desculpa, pede licença para chorar. Vai chorar sempre que você gritar com ela. Vai chorar sempre que você não responder para ela. Vai chorar de qualquer jeito. Mãe é nosso Pen Drive: não consegue colocar fora nem o rascunho do nosso desenho da 2ª série. Mãe espalha notícia sobre a nossa vida antes da confirmação e depois alega que não entende como todo mundo já descobriu. Mãe questiona o que queremos para apoiar no final. Condena primeiro para perdoar em seguida. Mãe tenta evitar ciúme criando segredos entre os irmãos. Mãe constrange com abraços e beijos e apelidos fofos e sonha andar de mãos dadas na rua com o filho na frente de todos. Mãe reclama do filho para o filho e elogia o filho para os outros. Quando alguém parabeniza sua criança, a mãe agradece como se fosse para ela. Mãe não desmancha o quarto do filho adulto esperando que ele volte para casa.
Mãe nunca tem razão, ela é nossa razão para viver.”
Carpinejar. (via cher-la-vie)
“E aí vai a receita pra se ter um boa noite de descanso, e um dia de luta com êxito: amor no coração, sorriso no rosto, paz na alma, leveza no corpo e mente liberta de todo e qualquer peso de consciência.”
Aghata Paredes. (via cher-la-vie)
“Não me pede pra falar mais baixo, pra puxar a saia, pra beber menos. Não fica triste quando me encontrar fumando sozinha sentada na sacada do meu apartamento do vigésimo andar. Não se irrita quando eu não quiser te dizer, quando eu te beijar em vez de moldar minhas dores todas a algo que você possa entender e não se doer. Respeita meus silêncios, ri dos meus medos, da minha pele que tanto esquenta rápido, quanto congela. Não tenta me entender. Ou você pode, ou não pode, não insista. Me dá a garrafa quando eu pedir, e se tiver o azar de me ver chorar só murmura um samba antigo que passa. Não sou pontual, não sou racional, e também não sou nem serei tua. Lê nos meus olhos o que eu preciso, que eu tenho preguiça de quem não sabe ver.
Nos vemos na próxima lua cheia regida em saturno, seja lá o que isso signifique. Quando eu cansar de mim e for te procurar.”
Sofia (via sarcasmoeoutrosorgasmos)
“Quero estar do lado em que se faça presente a felicidade. Ainda que pra isso, tenha que virar e desvirar milhares de vezes. Tô te desejando tanto. Você nem imagina os pensamentos insanos que ando tendo. As fantasias loucas. E no entanto, uma vontade que isso dê certo, além da carne. Não aguento mais andar por aí sem a companhia de espírito. Carne e espírito em equilíbrio, por favor. Alguém pra me alimentar carnalmente e espiritualmente. Com fogo, com paixão, com amor, loucura, calmaria, tesão, pressa, calma, sentindo, amando, cuidando, desejando, querendo além do ter e poder. Se sentir falta de ar, as janelas podem ser abertas. Vai lá fora, respira. Quando se sentir pronto, volta. Aqui dentro é quente. Se você gosta de frio, bom se manter lá fora. Mas uma coisa te garanto: frio ou quente, tô aqui. Na sua frente. Me leva daqui. Pra qualquer lugar. Não se torne príncipe não. Permaneça sendo lobo mau que me agrada mais. Mais vale um lobo mau sincero, do que um príncipe mentiroso. Se der, arrume um equílibro. Senão, permaneça extremo. Nunca me agradou mesmo o mais ou menos. Quando estiver comigo, esteja. Corpo e alma presentes. Se viajar, me chama. Se for ficar aqui nesse cômodo, nessa casa, na minha casa, deita aqui que esse sofá já não cabe mais nós dois. Se tiver calor, tira a roupa. Se estiver frio, sou teu travesseiro. Você…meu cobertor.”
Aghata Paredes in Mais uma à seu respeito MABS. (via cher-la-vie)
“Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você. Não é me dominando assim que você vai me entender. Eu posso estar sozinho, mas eu sei muito bem aonde estou. Você pode até duvidar… acho que isso não é amor. Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?
Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação. Serão noites inteiras, talvez por medo da escuridão. Ficaremos acordados, imaginando alguma solução pra que esse nosso egoísmo não destrua nossos corações. Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer? Brigar pra quê? Se é sem querer… Quem é que vai nos proteger? Será que vamos ter que responder pelos erros a mais? Eu e você?”
Legião Urbana (via sarcasmoeoutrosorgasmos)
“Ele acorda com cara de choro, tremendo às quatro da manhã. Eu, que ainda não tinha ido dormir não vejo outra possibilidade além de perguntar o que foi. Me abraça forte e diz que me ama. Eu pergunto quantos anos ele tem e ele vira ressentido.
- Come on baby, sonhou com o que?
- Não quero dizer.
Ok. E voltei pra Kerouac.
- Tá lendo o que?, pergunta com a voz grossa, de sono.
- On the road.
Ele treme e vira o rosto, eu não resisto, começo a rir.
- Qual o problema com Kerouac? Você sonhou que ele voltou dos mortos pra matar todos que escrevem mal e acabou te matando?
- Ha-ha, muito engraçado.
Pego um cigarro, o isqueiro.
- Não fuma, ele pede com a voz baixa, por favor.
O cigarro pedindo o fogo, o fogo querendo nascer, os dois flutuando no ar.
- Sonhou que eu morria?
- Não.
- Que pena.
Acendi o cigarro.
- POR QUE VOCÊ NUNCA FAZ O QUE EU PEÇO? Ele grita, eu trago mais fundo.
- Hm, alguém acordou nervoso… Digo desinteressada.
- Desculpa, desculpa Sofia, não queria gritar com você. Só queria que não fumasse, não agora pelo menos.
- Eu apago o cigarro e você me conta o sonho.
- Certo.
Ele tomou o cigarro da minha mão, deu um trago, eu sorri, entreguei o cinzeiro e o cigarro morreu.
- Tive um pesadelo.
- Eu meio que percebi. Deixe-me adivinhar, Ana Maria Braga eleita presidente do Brasil? Não? Nós dois aos noventa transando em slow motion? Não também? Aaah, já fui melhor em adivinhação.
- Você vai me deixar contar ou não?
Sorri, era a deixa dele.
- Sonhei que você fugia com aquele teu ex babaca.
- Pra onde?
- Não sei, ele aparecia na cidade e você fugia com ele. Deixava só um bilhete.
- Dizia o que?
- Já me emprestei demais pra você, é hora de devolver. Don’t cry baby, foi divertido. PS: Não me espere pro jantar.
Agora eu deveria dizer que nunca faria isso, ou que não sentia mais nada pelo babaca do meu ex, ou que eu sentia muito por deixar-lo tão inseguro. Qualquer uma dessas frases prontas, mentiras confortáveis. Engoli meu riso e dei meu silêncio, ou seja, muito. Guardei o livro, deitei no peito dele, pensei meio triste enquanto fechava os olhos algo como ‘ele é bonito demais pra continuar inteiro, intacto, mas não queria que tivesse que ser eu a quebrar’. Alguém vai ter que fazer, suspirei.
- Sofia? Você tá bem?
- Shhhh, eu tô aqui agora. Dorme. E vê se não sonha.”
Sofia (via sarcasmoeoutrosorgasmos)
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'Eu sei o que você pensa quando olha pra mim. Talvez se eu fosse mais comportada, falasse mais baixo e não chamasse tanta atenção. Talvez se eu bebesse um pouco menos, te desse menos trabalho e não fosse tão do agora. Talvez se eu não tivesse chegado tão perto, nem te tocado tão fundo, nem sido tão eu… Talvez haveria alguma possibilidade.'
— Caio Fernando Abreu
Prazer Roberta M. Angelo
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